A divisão de consoles do Xbox enfrenta seu momento mais fraco em anos, marcando um período desafiador para a Microsoft no mercado global de games. Lançados em 2020, os consoles de geração atual da empresa, Series X e Series S, pareciam inicialmente bem posicionados para o sucesso. Naquela época, a Xbox contava com um crescente portfólio de estúdios first-party, preços competitivos e, notavelmente, a proposta de valor atraente do Game Pass. Contudo, o PlayStation 5, da Sony, conseguiu manter em grande parte o ímpeto positivo de seu antecessor, o PS4, e consolidou-se como o sistema mais vendido desta geração no cenário atual. (via: gamerant)
Até o momento, o PS5 já superou a marca de 80,3 milhões de unidades vendidas globalmente. A Sony reforçou o sucesso de seu console ao anunciar, no ano passado, que o PS5 havia acumulado US$ 106 bilhões, tornando-se a geração de console mais lucrativa na história da empresa. Em um desenvolvimento mais recente, durante a Tokyo Game Show 2025, a gigante japonesa atualizou esse número para US$ 136 bilhões, sublinhando ainda mais a sua dominância financeira e de mercado. Enquanto isso, a demanda pelos consoles Xbox tem sido tão baixa que a Microsoft reporta quedas nas vendas do Series X e S consecutivamente há mais de um ano. Essa tendência levou a empresa a uma estratégia antes impensável: portar jogos exclusivos do Xbox para o PS5, movimento que alguns analistas interpretam como um reconhecimento da derrota na chamada “guerra dos consoles”.
Diante desse cenário, Mike Ybarra, ex-presidente da Blizzard, utilizou suas redes sociais para parabenizar a Sony pelos resultados financeiros do PS5. Em sua publicação, ele comentou: “Mas, ei, o mercado de consoles não é um negócio de sucesso. É se você fizer direito.” Essa declaração é amplamente vista como uma alfinetada àqueles que argumentam que os consoles dedicados são antiquados e não se alinham à direção futura da indústria de jogos. Em uma das respostas ao seu tuíte, quando um usuário o chamou de “ex amargurado”, referindo-se ao seu histórico profissional na Microsoft, Ybarra respondeu de forma categórica: “Seu console está morto.”
Embora Ybarra não tenha mencionado explicitamente o Xbox em sua resposta, a inferência é bastante clara, considerando que tanto a Sony quanto a Nintendo continuam a vender hardware de console em grandes volumes e com resultados positivos. Em outra ocasião, Ybarra também criticou a campanha de marketing “Everything Is An Xbox” (Tudo É Um Xbox), afirmando que ela sinaliza uma marca “confusa”. Ybarra deixou a Blizzard no início de 2024, poucos meses após a aquisição da empresa pela Microsoft como parte do acordo Activision Blizzard King (ABK), e desde então tem sido bastante vocal em suas críticas à detentora da plataforma. Há apenas uma semana, Ybarra censurou a Microsoft pela segunda rodada de aumentos de preços do Xbox, implicando que a gigante da tecnologia os impôs para aumentar as margens de lucro, e não como consequência de tarifas ou custos externos.
A perspectiva crítica de Ybarra ganha peso por sua vasta experiência no setor. Ele é um veterano da indústria que trabalhou na Microsoft por 20 anos, deixando a empresa em 2019 como vice-presidente corporativo da Xbox, antes de passar cinco anos na Blizzard. Dada sua trajetória, alguns podem se surpreender com o tom de suas críticas ao Xbox, mas ele não está sozinho nesse posicionamento. Em junho passado, Laura Fryer, membro fundadora do projeto original do Xbox, também manifestou preocupações semelhantes sobre o futuro da plataforma. Fryer expressou a opinião de que o hardware do Xbox está “morto” e questionou a estratégia de longo prazo da Microsoft para a marca, alinhando-se quase perfeitamente com os comentários de Ybarra sobre o assunto. Essa convergência de opiniões de figuras proeminentes da indústria destaca as incertezas que pairam sobre o futuro da divisão de consoles da Microsoft.





