O aguardado título “Ghost of Yotei” emerge no cenário dos videogames como uma experiência visceral, imersa em uma jornada de vingança implacável. O enredo do jogo, ambientado na mítica Ilha de Ezo, impulsiona o protagonista na caça a assassinos, em um caminho pavimentado por confrontos intensos e derramamento de sangue. O sistema de combate de “Ghost of Yotei” é marcado por embates violentos, onde o jogador se engaja em duelos estilizados, desferindo golpes que resultam em exibições dramáticas de jatos de sangue de membros decepados, conforme descrito pela análise original. (via: kotaku)

Apesar da brutalidade inerente ao seu cerne narrativo e de jogabilidade, o que mais surpreende no novo capítulo da desenvolvedora Sucker Punch é a sua capacidade de convidar o jogador a um momento de quietude. Em um gênero dominado por caixas de areia de ação e aventura hiper-realistas, “Ghost of Yotei” pode não reivindicar o título de jogo mais belo do PlayStation 5, mas certamente se destaca como um dos mais visualmente vibrantes e dinâmicos. A Ilha de Ezo, com sua flora e fauna exuberantes, é o palco de uma narrativa complexa, onde personagens diversos se encontram, alguns mais envolventes que outros. No entanto, a análise observa que nenhum deles se mostra tão cativante ou crucial para a imersão quanto o próprio vento.
O vento em “Ghost of Yotei” transcende sua função meramente ambiental. Ele se manifesta como uma inovação sutil e engenhosa na interface do usuário, orientando o jogador em direção ao próximo objetivo. Essa mecânica, elogiada como uma das mais notáveis da era PlayStation 4, opera de forma orgânica, afastando-se das tradicionais setas ou marcadores intrusivos. Mesmo quando o jogador não está ativamente buscando seu próximo desafio, o vento permanece presente, sussurrando através das folhagens, soprando por entre as flores e ondulando a grama alta, servindo como um constante lembrete de que o mundo de “Ghost of Yotei” é muito mais do que um mero cenário para colecionáveis, aprimoramentos e pontos de missão.
A experiência de travessia pela Ilha de Ezo é frequentemente interrompida por momentos de admiração. Segundo a análise, há inúmeras ocasiões em que, galopando a cavalo por campos abertos ou margens de rios, o protagonista é compelido a parar, desmontar e simplesmente absorver a beleza do entorno. Essa capacidade de desviar o jogador do caminho crítico e incentivá-lo a explorar sem um propósito imediato é uma raridade em jogos de mundo aberto. Muitos títulos tentam esse feito com a promessa de segredos, recompensas escondidas ou designs de nível deliberadamente confusos. “Ghost of Yotei”, entretanto, alcança esse objetivo de forma mais eficaz e sem recorrer aos mesmos artifícios.
O jogo apresenta locais em seu vasto mundo que tornam a simples ação de permanecer parado uma experiência tão rica e envolvente que, por vezes, o jogador reluta em prosseguir. Essa é uma característica verdadeiramente incomum para um videogame: a habilidade de fazer com que o ato de pousar o controle por um instante seja tão fascinante e recompensador quanto qualquer outra faceta da jogabilidade. A Sucker Punch parece ter dominado a arte de criar um ambiente que não apenas serve como pano de fundo para a ação, mas que se torna um protagonista por si só, digno de contemplação e exploração tranquila.
Assim, “Ghost of Yotei” se estabelece como uma proposta única, mesclando a intensidade de um jogo de vingança violento com uma sensibilidade estética profunda, onde a natureza e seus elementos, em especial o vento, desempenham um papel central na experiência imersiva do jogador. A Ilha de Ezo não é apenas um mapa a ser conquistado, mas um ecossistema vivo que convida à pausa e à observação, transformando cada instante de inação em uma parte integrante e memorável da jornada.



