Dubladores se unem contra substituição de DUBLAGEM VIVA por IA

Campanha pede regulamentação para evitar que vozes e interpretações de atores humanos sejam substituídas pela inteligência artificial.

Imagem/Reprodução

A Inteligência Artificial está evoluindo em ritmo acelerado e como qualquer tecnologia, tem seus pontos positivos e negativos. Seja gerando desenho, texto, vídeo ou voz, ela tem sido constantemente utilizada no meio artístico e representa um grande risco para diversas profissões.

O uso da IA no cinema e na TV foi alvo de debate durante a greve dos atores de Hollywood em 2023. Um acordo firmado promete garantir aos artistas compensações justas e o direito ao consentimento para ter suas imagens reproduzidas ou alteradas por computador.

No Brasil, dubladores se uniram e criaram a campanha DUBLAGEM VIVA, que pede a regulamentação do uso de inteligência artificial em filmes, séries, jogos de videogame e outras produções audiovisuais, para evitar que atores humanos sejam substituídos por sistemas capazes de imitar vozes reais, estipulando regras para que os dubladores não percam seu espaço e continuem atuando ativamente.

“Nosso interesse não é proibir nenhuma evolução tecnológica, queremos apenas garantir que o que é apenas uma ferramenta de criação não passe a ser entendido como o nosso criador,” diz manifesto em site do movimento. “É essencial preservar a expressão vocal, emoção e interpretação artística que os profissionais trazem para o processo de dublagem. A tecnologia deve ser vista como uma ferramenta complementar, não como um substituto.”

Diversas personalidades da dublagem e atores se juntaram à campanha de regulamentação. Entre eles, Luiz Carlos Persy, dublador de Joel em The Last of Us – no jogo PlayStation e na série da HBO. Ele também dubla outros diversos personagens icônicos na TV e no cinema.

Miriam Ficher, dubladora de Tess, também na série e no jogo The Last of Us – bem como voz brasileira da atriz Drew Barrymore e diversos outros personagens na TV e no cinema, também apoia campanha.

Dublador de Kratos em God of War, Ricardo Juarez também faz parte da campanha Dublagem Viva

Leia na íntegra o manifesto pela regulamentação da IA | dublagemviva.com.br

Neste momento histórico, nós, profissionais de Dublagem do Brasil, nos manifestamos pela regulamentação do uso de Inteligência Artificial (IA) em nosso setor e em todo setor de arte e cultura considerando que ela pode trazer muitos prejuízos.

A dublagem é uma forma de adaptação audiovisual que permite que pessoas que não compreendem a língua original de um filme ou programa de TV possam apreciá-lo.

A IA pode ajudar no combate a pirataria de conteúdo ao fornecer mecanismos mais eficazes para detectar e bloquear reproduções ilegais. Criar mecanismos de reconhecimento de voz e análise de conteúdo para identificar tentativas de uso não autorizado de material dublado, protegendo os direitos autorais e conexos de seus detentores, garantindo que os artistas e estúdios sejam devidamente remunerados por cada exibição, conforme versam as leis sobre o tema no nosso país.

A regulamentação deve ser elaborada de forma a equilibrar os avanços tecnológicos com a preservação de empregos e garantir a qualidade da dublagem, mantendo o respeito aos profissionais e à indústria audiovisual, que possui imensa cadeia produtiva. Desde a necessária instalação de sedes de distribuidores no território, garantindo maior proximidade e compromisso nas relações de trabalho e arte, passando pela recepção do estúdio de captação e infraestrutura com a finalização até o controle de qualidade e transmissão final, considerando especialmente a necessária obediência às leis que regimentam o trabalho artístico no país.

A IA não deve ser usada para reproduzir vozes de atores em outros idiomas para Língua Portuguesa Brasileira a finalidade de substituir os dubladores. É essencial preservar a expressão vocal, emoção e interpretação artística que os profissionais trazem para o processo de dublagem. A tecnologia deve ser vista como uma ferramenta complementar, não como um substituto.

O uso de IA na dublagem deve estar em conformidade com as leis de direitos autorais e respeitar os contratos de trabalho e acordos estabelecidos com os detentores dos direitos.

A IA não deve ser usada para promover ou perpetuar estereótipos, discriminação racial, étnica, de gênero ou qualquer forma de discriminação e preconceito. É preciso regulamentar para prever princípios éticos e evitar quaisquer formas de discriminação, por seguir algoritmos que reproduzem e promovem representações inadequadas de grupos sociais.

É fundamental que a regulamentação seja elaborada de forma abrangente e consulte todos os envolvidos no setor, incluindo profissionais da dublagem, estúdios de produção, detentores de direitos autorais, especialistas e sociedade civil.

Mesmo que haja avanços na tradução automática, ela ainda está sujeita a erros e dificuldades na interpretação correta do contexto e intenção do diálogo. Isso pode levar a traduções equivocadas e até mesmo distorção da mensagem original, afetando negativamente a autenticidade da Língua Pátria, como Símbolo Nacional num processo de dublagem feito fora no país, por máquinas ou pessoas que não estejam em contato frequente com as variações linguísticas que enriquecem a nossa Linguagem e referências culturais-sociais.

Nesse quesito ter profissionais Diretores de Dublagem cada vez mais qualificados artisticamente é fundamental para a compreensão do processo como um todo, incluindo as especificidades de cada obra, para assim escalar profissionais garantindo a adequação na escolha das vozes, na direção da interpretação do artista dublador , adaptação dos textos, supervisão para garantir a coerência e coesão do processo de dublagem, com a obra original e as ferramentas tecnológicas.

Assim sendo, devemos zelar para que nenhum trabalho de criação artístico-cultural, especialmente em dublagem, seja substituído pela inteligência artificial sob pena das necessidades humanas de existência, de labor e evolução se tornarem inferiores a necessidade de existência de uma inteligência artificial.

Evolução esta que se dá através das diversas manifestações artísticas como consumidor e mormente, como artista. Visto que estes são seres de vocação singular para expressar emoções conhecidas e desconhecidas da humanidade através dos tempos e espaços levando outros seres a se conectarem com emoções, percepções, saberes, visões e uma infinidade de conjecturas que só a arte exercida por seres humanos, seres vivos, pode tornar empática e carismática. Porque desperta a compreensão de valores por identificação natural.

Vivemos em tempos de busca por representatividade em todos os setores da sociedade.

Essa vertente tão relevante pra nossa consciência humana, visa justamente dar anteparo a toda diversidade viva de ser e estar no mundo em cumprimento de seu direito universal, natural e porque não dizer, divino de existir.

Buscamos essa representatividade para dar consciência a todos do direito a diferenças, acertos e erros que por sua beleza em diversidade traz beleza e respeito a todas as criaturas.

Querer dar através da IA ideia de perfeição e padrões inumanos aos personagens, tanto em voz, expressões, corpos, performances, etc priva o profissional artista do exercício de seu talento e ao ser humano, de o seu direito a singularidade existencial.

A Missão Fundamental da arte é levar reflexão profunda sobre a existência do ponto de vista filosófico, social e econômico.

E nós artistas em dublagem, não poderíamos nos furtar a isso num momento tão importante pra humanidade.

Momento que em é tão necessário se perguntar: “Quero?”,”Posso”, ”Devo?” -“Pra que? Por que?

Os investimentos em IA visam obviamente maiores obtenções de lucros por seus investidores. Preços menores à obtenção de serviços.

Regulamentar a IA exige refletir sobre o que nos é mais precioso.

Mais preços menores pra poucos ou Mais valores maiores pra todos?

Querem, podem! Mas devem?

Podem, devem mas querem?

Nós, Devemos, Queremos e Podemos!

Somos pela preservação dessa arte que cativa quando expressa vida.

E temos uma vida operando em cada lugar no processo criativo da dublagem, além do microfone.

Queremos manifestar e erguer nossa bandeira porque nossa arte é única, humana e fundamental por isso queremos

A DUBLAGEM VIVA!

VIVA A DUBLAGEM VIVA!!

Dublagem Viva tem o apoio internacional do Sindicato de Actores de Voz y Voice Talents de Madrid (NAVTA), National Association of Voice Actors (Nava), United Voice Artists (UVA) e da Organización de Voces Unidas (OVU).

“O movimento Dublagem Viva está conectado com os movimentos internacionais que buscam a regulamentação da IA, considerando os mesmos critérios de valorização da profissão, da Soberania Nacional através da preservação da língua pátria e da Arte de dublar como patrimônio histórico-cultural em nosso país.”

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